
Saiu próximo à rua, estava escuro o bastante. Chovia e ele se abrigou embaixo do toldo... de uma cobertura ou algo desse tipo. Era um local público e como em qualquer local público – com coberturas ou não – passa gente de todo tipo. Corpos atravessados por muitos acfetos não causam sobressaltos, mas por ali poderiam passar corpos com algumas intensidades afetuais inconvenientes que poderiam atrapalhar a ação com comentários caretas, politicamente corretos ou com ameaças e coerções garantidas por leis tucanas.
Por conta de gente desse último tipo que ele está esperto e com o olho vivo. Olha para trás, para frente, para a direita (e contém a ânsia de vômito), para a esquerda (e contém o sonolento bocejo), para noroeste à 52 graus e para sul-sudeste à 38 graus. O movimento por aquele território não oferece contratempos. Então... é a hora de acender a chama e fazer um pouco de fumaça.
No momento em que a fumaça inicia sua trajetória uma zelosa mãe de família – voltando para satisfazer sua prole devidamente provida com seis paezinhos e um leite tipo B – reprova veementemente tal atitude nociva. Ele, constrangido, finge que a linguagem corporal executada não lhe dizia respeito e continua a executar estaticamente seu ato. Alguns segundos após, um pontual cidadão pagador de impostos que, todos os dias – inclusive nos fins de semana – passava pela mesma via no mesmo horário exclama diretamente para ele: “sinto-me embasbacado com tamanha estapafúrdia!”. Ele precisa fazer questão de não entender, e o faz.
Minuto depois da exclamação, o Estado – personificado em figuras armadas vestidas de cinza e azul claro – chega ao local se achando incontestavelmente certo. Ele não tem como ignorar... se vira e coloca as mãos na parede. Ele, que possui algo “em cima” e nada embaixo (da palmilha), tenta se explicar, mas não há explicações. Foi pego em flagrante e, junto com o dono do estabelecimento, sofrerá constrangimentos legais nada legais apoiados por parte da sociedade.
Craque?! Ópio!? Haxixe!? Maconha?! Não, ele sorve o conteúdo gasoso de um bastonete nicotinoso livre de substâncias psicotrópicas! Fedido, careta, podre, crivo, pigas... um cigarro.
Não mais que de repente ele ridiculamente perdeu o direito de saciar tranquilamente um vício ou um hábito.
Dizem que 84% gosta, que ninguém é obrigado a inalar a fumaça do cão, que o monoxímetro – que merda é essa!!! – comprova coisa e tal. Que se foda... queremos nosso lugar para fumar.
Ah, o cigarro mata – dizem os seguros. A salsicha do cachorro quente também – principalmente as que são confeccionadas com jornais de conteúdo duvidoso. Deveríamos proibir o consumo de salsichas de cachorro quente em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se as salsichas!
Ah, mas o cigarro polui o ambiente ao redor prejudicando a saúde do cidadão – dizem os precavidos. Os automóveis e o repolho também. Deveríamos proibir o consumo de automóveis e repolhos em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se os automóveis e os repolhos!
Ah, mas o cigarro é um hábito, sem razão, mesquinho e muito nocivo – dizem os prudentes. Ler a revista Veja e assistir o Fantástico também. Deveríamos proibir o consumo de Veja e Fantástico em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se as Vejas e os Fantásticos!
Sob tais circunstâncias, lançamos as bases para o MFO (Movimento dos Fumantes Oprimidos)... todo homem tem direito de fumar como quiser! Fume no chuveiro, no quintal, fume nu, fume numa boa!!!
Convocamos todos que desprezam o monoxímetro a um FUMAÇAÇO.
O ato se dará em algum bar, restaurante e/ou casa noturna de SP. Todos - relógios sincronizados, cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, charuletas, paiotos, isqueiros e fósforos à mão –, no momento combinado, ao som de “Eu fumo sim e estou seguindo, tem gente que não fuma está tossindo” acenderemos nossas dignidades perdidas e defumaremos os germes serristas da nação!!!!
Você está convocado! Aguarde as próximas coordenadas – a serem dadas por sinais de fumaça, já que e-mails são rastreáveis –, trague sua coragem e queime tudo aquilo que lhe estorva.
Não respire, estou fumando!!!*
Abraços fumegantes: Pepe de La Coña
*E que nenhum fabricante de cigarro venha colar sua imagem com a nossa!!!
Por conta de gente desse último tipo que ele está esperto e com o olho vivo. Olha para trás, para frente, para a direita (e contém a ânsia de vômito), para a esquerda (e contém o sonolento bocejo), para noroeste à 52 graus e para sul-sudeste à 38 graus. O movimento por aquele território não oferece contratempos. Então... é a hora de acender a chama e fazer um pouco de fumaça.
No momento em que a fumaça inicia sua trajetória uma zelosa mãe de família – voltando para satisfazer sua prole devidamente provida com seis paezinhos e um leite tipo B – reprova veementemente tal atitude nociva. Ele, constrangido, finge que a linguagem corporal executada não lhe dizia respeito e continua a executar estaticamente seu ato. Alguns segundos após, um pontual cidadão pagador de impostos que, todos os dias – inclusive nos fins de semana – passava pela mesma via no mesmo horário exclama diretamente para ele: “sinto-me embasbacado com tamanha estapafúrdia!”. Ele precisa fazer questão de não entender, e o faz.
Minuto depois da exclamação, o Estado – personificado em figuras armadas vestidas de cinza e azul claro – chega ao local se achando incontestavelmente certo. Ele não tem como ignorar... se vira e coloca as mãos na parede. Ele, que possui algo “em cima” e nada embaixo (da palmilha), tenta se explicar, mas não há explicações. Foi pego em flagrante e, junto com o dono do estabelecimento, sofrerá constrangimentos legais nada legais apoiados por parte da sociedade.
Craque?! Ópio!? Haxixe!? Maconha?! Não, ele sorve o conteúdo gasoso de um bastonete nicotinoso livre de substâncias psicotrópicas! Fedido, careta, podre, crivo, pigas... um cigarro.
Não mais que de repente ele ridiculamente perdeu o direito de saciar tranquilamente um vício ou um hábito.
Dizem que 84% gosta, que ninguém é obrigado a inalar a fumaça do cão, que o monoxímetro – que merda é essa!!! – comprova coisa e tal. Que se foda... queremos nosso lugar para fumar.
Ah, o cigarro mata – dizem os seguros. A salsicha do cachorro quente também – principalmente as que são confeccionadas com jornais de conteúdo duvidoso. Deveríamos proibir o consumo de salsichas de cachorro quente em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se as salsichas!
Ah, mas o cigarro polui o ambiente ao redor prejudicando a saúde do cidadão – dizem os precavidos. Os automóveis e o repolho também. Deveríamos proibir o consumo de automóveis e repolhos em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se os automóveis e os repolhos!
Ah, mas o cigarro é um hábito, sem razão, mesquinho e muito nocivo – dizem os prudentes. Ler a revista Veja e assistir o Fantástico também. Deveríamos proibir o consumo de Veja e Fantástico em locais públicos ou privados de uso coletivo? Proíbam-se as Vejas e os Fantásticos!
Sob tais circunstâncias, lançamos as bases para o MFO (Movimento dos Fumantes Oprimidos)... todo homem tem direito de fumar como quiser! Fume no chuveiro, no quintal, fume nu, fume numa boa!!!
Convocamos todos que desprezam o monoxímetro a um FUMAÇAÇO.
O ato se dará em algum bar, restaurante e/ou casa noturna de SP. Todos - relógios sincronizados, cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, charuletas, paiotos, isqueiros e fósforos à mão –, no momento combinado, ao som de “Eu fumo sim e estou seguindo, tem gente que não fuma está tossindo” acenderemos nossas dignidades perdidas e defumaremos os germes serristas da nação!!!!
Você está convocado! Aguarde as próximas coordenadas – a serem dadas por sinais de fumaça, já que e-mails são rastreáveis –, trague sua coragem e queime tudo aquilo que lhe estorva.
Não respire, estou fumando!!!*
Abraços fumegantes: Pepe de La Coña
*E que nenhum fabricante de cigarro venha colar sua imagem com a nossa!!!
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